Em recente estudo lançado pela Fundação Dom Cabral, que ranqueou as empresas transnacionais brasileiras, a Politec Global IT Services assumiu a quarta posição entre as mais internacionalizadas do grupo de Tecnologia da Informação, figurando entre as 40 companhias nacionais de maior atuação no exterior, ao lado de grandes players, como Friboi, Votorantim e Gerdau.
O ranking foi definido a partir de três indicadores empresariais: receitas no exterior, valor dos ativos da empresa e número de funcionários.
Fundada há 40 anos, a Politec começou seu processo de internacionalização há 12 anos, com a migração para os Estados Unidos. Nos mercado norte-americano, a atividade da empresa estava inicialmente orientada à demanda. Apenas dois anos atrás a Politec olhou para outras atividades e países. Hoje, além do Brasil e dos Estados Unidos, atua na Argentina e no Chile.
O CEO da Politec Estados Unidos, Peter Albers, não hesita em afirmar que “a unidade da empresa no Brasil acabou crescendo com a internacionalização pela sinergia das operações que desenvolvemos”.
“Nos Estados Unidos vendemos serviços para clientes que têm operações no País e necessitam de suporte e de profundo conhecimento da legislação brasileira – a particularidade da legislação tributária brasileira leva as empresas nos Estados Unidos a optar por trabalhar com quem realmente conhece o intrincado modelo de impostos locais”, explica.
O executivo argumenta que atualmente os sistemas são globais e as sucursais das multinacionais devem se incorporar a essa realidade, já consideradas todas as exceções legais. Quem conhece a infinidade de exceções que caracteriza a normativa tributária brasileira ganha vantagem sobre os concorrentes, como é o caso da Politec.
Albers acredita que o País e outros mercados da América Latina têm um grande potencial técnico, suficiente para concorrer com tradicionais mercados provedores de serviços, como a Índia, por exemplo.
Offshoring
Outra frente de atuação que ganhou importância: o offshoring. “Em comparação com a Índia, nosso principal concorrente, o Brasil se revela muito mais vantajoso. O offshoring na Índia é afetado pelo fuso horário, além das diferenças de caráter cultural”, analisa Albers. “Esses aspectos estão comprometendo o retorno que o offshoring inicialmente prometeu. Nosso argumento se baseia na proximidade com os Estados Unidos, praticamente sem diferença de fuso horário, e podemos oferecer esse serviço a partir da América Latina, onde existe a habilidade técnica. Há o desafio do idioma, mas todos os outros aspectos culturais estão muito bem alinhados com o mercado norte-americano”, acredita.
A desilusão generalizada com centros tradicionais de offshoring acabou beneficiando muito a empresa. “O número de clientes da Politec aumentou significativamente. É interessante notar que, em muitos casos, estamos conquistando clientes que antes só fechavam contratos com grandes companhias globais, como a IBM, por exemplo”.
Argentina
A Politec está promovendo esse tipo de serviço a partir da Argentina, onde os custos são 50% inferiores aos da operação no Brasil. Segundo Albers, a eficiência do serviço oferecido na América do Sul é muito maior que na Índia, embora a questão do custo ainda seja determinante no mercado neste período pós-crise econômica.
“Na média, a Argentina está hoje 10% mais cara do que a Índia. Por isso, damos ênfase à questão da eficiência entre as empresas que estão completamente desiludidas com o serviço indiano”, argumenta o CEO da Politec.
A definição da Argentina como base da oferta de serviços de offshoring aconteceu em seguida ao deslocamento da produção de softwares do Brasil para o país vizinho. “A estratégia de internacionalização da Argentina começou porque percebemos a oportunidade de economizar e aumentar as margens. Transferimos os serviços para a Argentina, que tem custo 50% menor do que o Brasil. Eles fazem o trabalho lá e mandam para cá.”
Headquarter
O headquarter da Politec é o Brasil, que concentra as operações corporativas e figura como o maior mercado da empresa. Do total do faturamento, que chega a US$ 300 milhões, a operação brasileira representa a maior parte.
Além do desenvolvimento de softwares e sistemas, bem como de serviços de suporte, a Politec encontrou no País ressonância na indústria de petróleo e gás, iniciando parcerias comerciais de grande monta no setor. “Já trabalhamos com a Petrobras, e toda a cadeia de fornecedores da estatal começa a responder ao aumento da atividade influenciada pelo pré-sal. Essas empresas estão crescendo e precisam de ajuda na área de sistemas. Conseguimos contratos importantes a partir da nossa unidade em Houston, nos Estados Unidos, e estamos conquistando novos mercados”, alegra-se Albers.
A empresa tem vínculos comerciais também com o Japão, desde que, em 2008, a Mitsubishi Corporation fez um investimento na Politec, ao adquirir uma participação minoritária. “A ideia era oferecer serviços para a empresa, que aproximaria a Politec de novos clientes. Temos uma operação de serviços no Japão monitorada 24 horas”, comenta o CEO da empresa.
Ele ressalta, entretanto, que o “foco hoje é a América Latina e os Estados Unidos. Há muito espaço para crescer”. O executivo também comenta: “Vamos nos dedicar a desenvolver os mercados que definimos e outros em prospecção, como a Colômbia”.
As expectativas de Albers para o ano são muito otimistas. “O ritmo forte da economia brasileiro nos beneficia. Acabamos de firmar um contrato de mais de US$ 2 milhões com uma empresa norte-americana que fechou nosso ano”, finaliza.